Planejamento Estratégico e Execução

Transformando ideias em realidade

Sempre gostei muito de estratégia, definir os planos de uma grande empresa sempre foi um dos meus desejos. Estímulos não faltaram, a literatura sobre o tema é vasta, o assunto está sempre presente na grade curricular dos cursos e é visto como uma das atividades mais sofisticadas das empresas.

Quando tenho alguma ideia de projeto ou ação, quero logo colocar no papel e definir todas as estratégias, não vejo a hora de apresentar o plano para que as pessoas possam me dar feedbacks.

Realmente é uma atividade estimulante, mas ela só serve mesmo quando as coisas acontecem de verdade. Projetos que não saem do papel não valem muita coisa e isso fica cada dia mais evidente para mim.

A execução se tornou o principal diferencial em empresas ou equipes de sucesso e, hoje, arrisco dizer que é ainda mais importante que a própria estratégia. Mas, infelizmente, ainda existem algumas barreiras para que a execução não atraia tanto a atenção dos nossos profissionais:

Sofisticação

Muitos ainda consideram que a execução não passa de um mero serviço operacional, que deveria ficar a cargo de pessoas menos capacitadas, enquanto a elaboração da estratégia ficaria a cargo dos mais inteligentes ou com mais experiência.

Referência

Existe pouquíssimo material sobre o tema, enquanto os livros e revistas especializados estão saturados de conteúdo sobre inovação e estratégia, encontrar algo sobre execução não é tarefa das mais fáceis.

Os grandes ícones do mundo dos negócios são vistos apenas como homens visionários e disruptivos e não como pessoas altamente dedicadas e disciplinadas, que executaram com perfeição suas ideias.

Foco nas ideias

Hoje vivenciamos um culto à inovação que, para muitos, significa ter ideias geniais e insights poderosos. As pessoas não têm paciência para a execução, querem logo ter uma nova ideia com grande potencial de sucesso e partir para um novo projeto.

Os mais criativos tendem a direcionar seus esforços a continuar criando, para eles, a execução não parece tão atraente (Scott Belsky).

Inércia

Outro ponto importante são as nossas barreiras psicológicas. Nosso cérebro não entende muito bem porque devemos sair da zona de conforto, gastar energia e nos expor ao risco, se podemos ficar parados, quietos, apenas esperando surgir a próxima grande ideia revolucionária.

Esses quatro aspectos colaboram para uma situação muito comum nos dias de hoje, que é não entregar o que se espera. E assim, os resultados ficam abaixo das expectativas e aquele profissional que era visto como um dos maiores potenciais da empresa, acaba ficando para escanteio, mesmo estando cheio de boas ideias e intenções.

A dinâmica de mercado está diferente, as estratégias deixaram de ser inalteráveis, segundo um dos maiores especialistas no tema, Ram Charam, “uma boa estratégia estará em constante análise e revisão dependendo do que estiver acontecendo no ambiente de negócios. E, a medida que a estratégia muda, o pessoal e as operações da empresa também devem mudar“.

Este cenário deixa claro que os responsáveis pela estratégia precisam estar presentes, atentos ao que está acontecendo e colocando, efetivamente, a mão na massa. Assim, eles conseguem incorporar a estratégia ao plano operacional e entender os “comos” do projeto.

A execução é para todos

Seja CEO ou operador, todos precisam incorporar a cultura de “fazer acontecer” para que as estratégias funcionem. Para isso, precisamos:

  • Conhecer quais são as nossas barreiras.
  • Entender que o processo criativo também é uma ciência que precisa de disciplina e método para transformar ideias em algo útil.
  • Ter um comportamento racional para nos livrarmos de qualquer amarra psicológica
  • E, principalmente, difundir isso isso para as equipes.

Como aplicação prática, tenho percebido que, quando necessário, funciona muito bem acompanhar cada etapa do projeto, para fomentar uma cultura voltada à entrega.

Questionar o desempenho, solicitar justificativas com evidências e dar feedback, recompensas e orientação fazem com que as pessoas se envolvam e se sintam responsáveis pela execução.

Esse tipo de engajamento tem o poder de recuperar cenários adversos e/ou entregar resultados cada vez mais sustentáveis.

Execução é o nome do jogo!

Referências: Execução, Larry Bossidy e Ram Charam, 2010 Administração, Idalberto Chiavenato, 2014. A ideia é Boa e Agora?, Scott Belsky, 2011.

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