Autoeducação

Quando a dedicação supera qualquer obstáculo

No post Desapego Criativo, foi discutida a necessidade de preparar o terreno para semearmos novos conhecimentos, ou seja, livrar a mente de pré-conceitos acerca de qualquer assunto. Em outra ocasião, falamos sobre Desempenho Profissional e a importância de equilibrar os seus objetivos com os aspectos mais importantes da vida, afinal, o seu legado para o mundo é importante demais para ficar em segundo plano.

Com a mente livre e objetivos bem definidos, passamos para uma outra etapa de desenvolvimento.

Essa nova fase consiste em desenvolver conhecimentos que irão lhe auxiliar no dia a dia e, para isso, nada melhor do que a autoeducação. Certa vez, ouvi que profissionais se diferenciam pelo que fazem na hora livre, não no horário de trabalho. O escritor Samuel Smiles propôs essa prática em 1859, quando escreveu o livro Self-Help, que, além de best-seller, foi o precursor de um novo gênero que até hoje enche as prateleiras das livrarias.

A cultura mais elevada não se obtém dos professores quando se está na escola ou faculdade, e sim da nossa constante e diligente autoeducação quando nos tornamos homens”

Samuel Smiles

A educação formal deixa de ser um diferencial quando elevamos nossos objetivos, porque oferece um conhecimento padronizado, que nos estimula a seguir a manada. Felizmente, existem muitas maneiras de superar esse obstáculo, abaixo listo alguns dos pontos que julgo mais importantes:

Dedicação

Malcolm Gladwell, em seu livro Fora de Série, evidenciou a importância da preparação, seja qual for seu objetivo de vida: “…quando uma pessoa tem capacidade suficiente para ingressar em uma escola de alto nível, o que a distingue dos demais estudantes é seu grau de esforço. É exatamente isso”. Gladwell ilustra essa tendência com exemplos de casos reais e muitas pesquisas. Ele chega inclusive a propor, junto com o neurocientista Daniel Levitin, o número de horas de preparação necessárias para se atingir o grau de destreza pertinente a um expert de nível internacional – em qualquer área: 10 mil horas.

Bom, se nosso cérebro realmente contabiliza essas horas, eu não sei, mas a importância do treinamento, preparação e estudo é evidente em qualquer situação. Na China antiga, havia um termo coloquial para isso: Kung Fu (功夫 Gongfu). O termo não refere-se, originalmente, a uma luta, significa atingir o domínio supremo de alguma atividade por meio da prática e estudo.

Conhecer os obstáculos

Um fator sempre presente nesse assunto são as características hereditárias. Sobre isso, o pensador, médico e matemático Francis Galton (1869) tem uma boa e uma má notícia. A boa é que “podemos aprimorar nossas aptidões por meio de treinamento e aprendizado”. A ruim é que nossa hereditariedade “define os limites até os quais podemos desenvolver nossos talentos”. Mas não tire suas conclusões ainda, o debate “natureza-criação” é amplamente discutido até hoje e ainda não existe uma definição. Alguns contradizem Galton e entendem que todo bebê é uma “folha em branco”, todos nascem iguais. A maioria dos psicólogos, no entanto, reconhece que tanto natureza quanto criação são cruciais para o desenvolvimento humano e interagem de forma complexa. Além da genética, outros fatores influenciam o desenvolvimento, como o ambiente em que está inserido, as pessoas que convive e muitos outros obstáculos que devem ser conhecidos e administrados.

Definir estratégias

Como já disse em outros posts, gosto muito de estudar sobre diversos temas, o que não é tão fácil de administrar. Acabo perdendo o interesse em algumas coisas que estou estudando, pois surgem outros assuntos para disputar minha atenção, como falamos no post Dieta da Informação. A solução que encontrei foi fazer uma escala, alternando diariamente os temas, indo de economia nas segundas à física aos domingos. Ouço podcasts quando estou dirigindo ou fazendo exercícios, faço todos os cursos aderentes aos meus objetivos que conseguir e procuro sempre me manter atualizado. Parece coisa de maluco, mas funciona bem comigo. Entenda o que funciona melhor pra você e defina sua estratégia.

Descobrir o que lhe motiva

Essa fome pelo saber pode não ter como objetivo a “obtenção de conhecimento, mas estar a par das novidades”. É o que propõe o psicólogo Serge Moscovivi, alegando que a busca por conhecimento trata-se de uma motivação muito mais social do que pessoal. É importante descobrir o que lhe motiva, entender se a teoria de Moscovivi condiz com sua realidade ou não. Use essa inquietação como motor para seu desenvolvimento.

Vimos que não é uma etapa tão fácil, cada um tem suas particularidades, mas, com certeza, vai valer a pena. Assuma as rédias da sua educação, não espere pelos outros.

Referências: Fora de Série, Malcolm Gladwell, 2008. Uma Nova História do Poder, David Priestland, 2014. O Livro da Psicologia, Diversos autores, 2012.

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