Resiliência – Be water, my friend

A importância da resiliência e adaptação em um mundo que não para de mudar.

Todos nós já ouvimos falar que o aumento da velocidade das inovações tem gerado mudanças cada vez mais rápidas em nosso dia a dia. Além desse cenário inovador, outros fatores colaboram para que as organizações mudem seus processos rapidamente, como crises, sustentabilidade, ambição, entre tantos outros.

Eu já passei por algumas mudanças bem drásticas, como reestruturações ou fusões e outras mais comuns, como troca de empresa, de liderança, de setor ou de cidade. Em todas essas situações, é inevitável que as pessoas aumentem seu nível de atenção, busquem maior produtividade e cuidem ainda mais da divulgação de seu trabalho, ou seja, é a sua melhor versão.

Esse insight me fez perceber as vantagens de viver no caos. Setores altamente sensíveis a variações econômicas, tecnológicas, governamentais ou ambientais tendem a formar profissionais com alta resiliência, que se adaptam com mais facilidade às alterações do mercado e do cotidiano.

Esse ambiente, que pode ser considerado estressante por alguns, ajuda a formar ferramentas importantes para as pessoas lidarem com o que ainda está por vir. Assim, qualquer possível estresse acaba por se tornar irrelevante, à medida que nos adaptamos à rotina de não ter rotina.

Bruce Lee, o mestre das artes marciais, fez um famoso discurso sobre a adaptação, falou da importância de não nos limitarmos com formatos ou conhecimentos prévios. Vale a pena conferir o texto e o vídeo abaixo (youtube):

“Empty your mind, be formless. Shapeless, like water. If you put water into a cup, it becomes the cup. You put water into a bottle and it becomes the bottle. You put it in a teapot, it becomes the teapot. Now, water can flow or it can crash. Be water, my friend.”

A importância da adaptação não pode ser menosprezada, ela se estende a todo ser vivo. Charles Darwin, que criou a Teoria da Evolução, dizia que: “Não é o mais forte que sobrevive, nem o mais inteligente. E sim, aquele que melhor se adapta às mudanças”. As espécies que melhor se adaptam são as que vencem a corrida evolucionista.

Até a vida considerada mais pacata é cercada de mudanças, não temos pra onde correr. Quando você olha para sua mão, por exemplo, pode até pensar que está olhando para um emaranhado de células que cresceu ao longo de todos esses anos, mas, o que você realmente vê é um tecido totalmente novo que foi inteiramente substituído por novas células desde que você nasceu (e isso, possivelmente, aconteceu mais de uma vez).

Vamos pensar em uma escala um pouco maior agora, no exato ponto em que estamos no Universo, já parou pra pensar que, como nosso planeta está em constante movimento, dormimos em um lugar e acordamos em outro?

Se mesmo assim você ainda não se dá muito bem com mudanças e prefere buscar o conforto irreal da inércia, veja a reflexão feita por um homem chamado Heráclito, há incríveis 540 a.C.: “Nada existe de estável e definitivo na natureza, tudo muda continuamente – daí, podemos dizer que não nos banhamos duas vezes no mesmo rio. Cada coisa é e não é, ao mesmo tempo. Todo Universo está submetido a um eterno fluir e a vida requer contradição, antagonismo, guerra. Nós mesmos somos e não somos, porque existir, viver, significa tornar-se, ou seja, mudar a própria condição atual por uma outra“.

Lembre-se de como você se portou nos primeiros dias de seu emprego ou da faculdade, com imensa vontade de aprender, de olhos bem abertos prestando atenção em tudo à sua volta, compartilhando e comemorando cada uma de suas conquistas, sempre com frio na barriga, mas com objetivos bem definidos. Onde está essa pessoa agora? E o cuidado diligente que tinha quando se tornou pai, a dedicação de quando começou um namoro, para onde foram?

É com este espírito de mudança que você deveria permanecer sempre, não espere pelo governo ou os seus chefes mudarem, não espere o dólar subir ou a bolsa cair, não espere o filho chegar ou o amor acontecer, não espere! O mundo é mudança, a vida é fluxo, seja mutável, seja como a água.

Referências Resiliência: Antologia ilustrada de FIlosofia, Ubaldo Nicola, 2005. Uma Breve História do Tempo, Stephen Hawking, 1988. HowStuffWorks.com. HypeScience.com.

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