Características de Equipes

Características de Equipes – conheça seu time!

Muito se fala que a liderança deve ser situacional, ou seja, o líder deve se adaptar às características de equipes e o cenário em que ela se encontra. Mas quais são os tipos de equipes que existem?

Antes de qualquer coisa, precisamos entender que a maioria das pessoas prefere trabalhar em grupo. As pessoas podem até reclamar da rotina, mas, sem regras, normas, valores e expectativas, as pessoas passam a se sentir ansiosas, perdidas e confusas, isso se chama anomia.

A familiaridade de pertencer a um grupo, ajuda as pessoas a evitar essa condição, por isso, conforme citado por Maslow, sentimos a necessidade de pertencer a algo. Segundo ele, quando suprimos essa necessidade, passamos a buscar outras coisas, como o desejo de conquista e a prática de talentos inatos. Livres da “anomia”, grupos são lugares onde os seres humanos e as suas ideias podem florescer.

Perfil e Papel dos integrantes

Sabendo da importância dos grupos, precisamos entender quem são os seus componentes e o seus papeis dentro de uma equipe. Já discutimos aqui, algumas características comportamentais individuais dos membros de um grupo: Sonhadores, Indutores, Controladores e Analistas. O teórico britânico de gestão, Meredith Belbin, mostra que essas caraterísticas – ou a soma de algumas delas – são determinantes para conhecermos qual será o papel de cada um dentro de uma equipe. Segundo Belbin, uma equipe eficiente possui nove papeis essenciais:

  • Semeador: Pensador criativo, não ortodoxo, ótimo na solução de problemas. Ruim na comunicação com pessoas menos criativas.
  • Investigador de recursos: Comunicador extrovertido que desenvolve contatos e explora oportunidades. Perde o interesse assim que passa o interesse inicial.
  • Coordenador: Maduro e confiante, capaz de esclarecer metas e promover a tomada de decisões. Pode ser manipulador e parecer distante.
  • Formatador: Dinâmico, extrovertido e participativo, capaz de desafiar e evitar obstáculos. Dado a provocações e acessos de raiva.
  • Monitor: Sóbrio, estratégico e com discernimento capaz de julgar as opções com objetividade. Faltam-lhe motivação e habilidade de inspirar os outros.
  • Trabalhador em equipe: Social, tranquilo, perceptivo e acomodado, capaz de evitar atritos. Indeciso em situações críticas
  • Implementador: Disciplinado, de confiança, conservador e eficiente, capaz de transformar ideias em ações. Um tanto inflexível, lento em responder a novas possibilidades.
  • Complementador: Detalhista e consciente, sempre capaz de cumprir prazos. Propenso a se preocupar sem motivo, relutante em delegar.
  • Especialista: Determinado e dedicado, agrega conhecimento e habilidades técnicas raras. Só ajuda num aspecto específico.

Diversidade

Em ambientes complexos (como na maioria dos casos), a diversidade da equipe é uma grande aliada, pessoas com conhecimentos e opiniões diversas tendem a contribuir mais com o sucesso da empreitada. Tim Brown, em seu livro Design Thinking, faz um alerta:

“Uma organização criativa está constantemente em busca de pessoas com capacidades e disposição de colaborar entre diferentes disciplinas. No final, essa capacidade é o que distingue a mera equipe multidisciplinar de uma equipe verdadeiramente interdisciplinar. Em uma equipe multidisciplinar, cada pessoa defende a própria especialidade técnica e o projeto se transforma em uma prolongada negociação entre membros da equipe, provavelmente resultado em concessões a contragosto. Em uma equipe interdisciplinar, todos se sentem donos das ideias e assumem a responsabilidade por elas.”

Tim Brown

Existe uma tendência dos gerentes a recrutarem pessoas com as quais mais se pareçam. Quando não questionados, tais comportamentos podem resultar em formação de equipes com a mesma visão e características.  As equipes interdisciplinares combatem uma doença chamada “pensamento de grupo“, presente em equipes homogêneas, que sufoca a inovação e criatividade com opiniões que raramente são contestadas.

Fase de desenvolvimento

Um perfil importante das características de equipes é sua fase de desenvolvimento que, conforme citamos em outro post, é dividida em 4 fases:

  • Fingimento: É a fase em que os membros do grupo, por ainda não se conhecerem o suficiente, tendem a evitar conflitos. As discussões são generalizadas e normalmente tediosas.
  • Fricção: Nessa fase, as máscaras caem, as pessoas passam a desabafar tudo que seguraram até esse momento. As divergências são postas à mesa e o clima fica conturbado com cada um querendo impor a sua posição.
  • Formação: As pessoas começam a pensar de maneira mais racional em prol do grupo, não apenas do indivíduo. Para chegar a essa fase, ferramentas como feedback são muito importantes, é muito comum também que comecem a surgir “panelinhas”.
  • Funcionamento: Com os conflitos resolvidos e o correto direcionamento de todos, a equipe começa a funcionar em “alta performance”. Os indivíduos percebem que a atuação em grupo é mais vantajosa e passam a buscar resultados através da sinergia.

Cenário e objetivos

As características de equipes podem depender, também, dos objetivos da organização. Chiavenato cita uma variedade de tipos de equipes, que, na abordagem clássica, são formadas no sentido de alcançar a máxima eficiência possível:

  • Equipes funcionais cruzadas: são compostas de pessoas vindas de diversas áreas e são formadas para alcançar um objetivo específico por meio de um mix de competências.
  • Equipes de projetos: são formadas especialmente para desenvolver um novo produto ou serviço. Os participantes são designados na base de sua habilidade para o sucesso O grupo geralmente debanda após completada a tarefa.
  • Equipes autodirigidas: são compostas de pessoas altamente treinadas para desempenhar um conjunto de tarefas interdependentes dentro de uma unidade natural de trabalho. Os membros usam o consenso na tomada de decisão para desempenhar o trabalho, resolver problemas ou lidar com clientes internos ou externos.
  • Equipes de força-tarefa: uma força-tarefa é designada para resolver imediatamente um problema. O grupo fica responsável por um plano de longo prazo, para resolução do problema, que pode incluir a implementação da solução proposta.
  • Equipes de melhoria de processos: é um grupo de pessoas experientes, de diferentes departamentos ou funções, encarregado de melhorar a qualidade, reduzir custos, incrementar a produtividade em processos que afetam todos os departamentos ou funções envolvidas.

Tamanho do grupo

A quantidade de membros em um grupo, traz considerações importantes. Tim Brown afirma que as fases iniciais de um projeto são melhor administradas, se o número de pessoas for reduzido, porém, nas fases de maior complexidade, o aumento do grupo é favorável:

“Na próxima vez que assistir um filme, veja os créditos e verifique a fase de pré-produção. Invariavelmente, haverá uma pequena equipe composta de diretor, roteirista, produtor e designer de produção que desenvolveram o conceito básico. Só depois é que os exércitos chegam”.

Já uma equipe com mais de 150 integrantes, conforme discutimos no post Mito e Cultura, não pode ser gerenciada apenas por relações interpessoais, normas ou regras. É necessário a implementação de cultura, para que possa funcionar.

Entender as características de equipes é o primeiro passo para uma liderança eficiente. No próximos post, falaremos como as características do líder se relacionam com as das equipes.

Referências: Administração, Idalberto Chiavenato, 2014. O Livro dos Negócios, diversos autores, 2011. Design Thinking, Tim Brown, 2010. Características de Equipes

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