Escolhas e decisões

O poder da escolha e a importância do não.

Ao longo de nossas vidas, principalmente no avanço de nossas carreiras, somos seduzidos por muitas oportunidades de novos projetos. São ideias interessantes, como participação em startups, investimentos, trabalho voluntário, convites para projetos importantes na empresa e muitas outras oportunidades que aparentam ter um futuro promissor.

Mas a grande variedade de opções que a vida nos oferece pode fazer com que nos envolvamos em projetos demais ou ainda gerar uma atitude paralisante, quando acabamos não escolhendo nada, apenas para nos livrarmos dessa responsabilidade. É algo parecido àquele momento em que estamos tentando decidir qual filme assistir no Netflix e, com tantas opções, acabamos voltando para uma série que já conhecemos.

Um filósofo chamado Soren Kierkegaard abordou esse sentimento há muito tempo atrás, dizia que a liberdade de escolha nos causa angústia, por que “nossas mentes cambaleiam ante o pensamento da liberdade absoluta, entre a escolha de fazer nada ou fazer algo“. Um de seus exemplos históricos aborda um homem à beira do precipício, que além da vertigem, sente outro medo angustiante, criado pelo fato de que ele é livre para pular. Ele conclui sua teoria dizendo que “A angústia é a vertigem da liberdade“.

O que fazemos então para acabar com essa angústia e tomarmos decisões mais assertivas entre tantas oportunidades a que somos expostos?

Aprenda a dizer não!

Michael Porter dizia que a essência da estratégia é saber o que não fazer. Steve Jobs, quando voltou para a Apple, disse Não para diversos produtos, focando apenas naqueles que julgava mais importantes. Tim Brown afirma que seus Design Thinkers precisam de barreiras: “Para um artista em busca de beleza ou um cientista em busca da verdade, as fronteiras de um projeto podem soar como restrições indesejadas. Mas a marca de um designer é a disposição de aceitar as limitações. Sem restrições, o design não pode ser criado.”

Eu mesmo já tive a oportunidade de vivenciar o poder do não, estava envolvido em um projeto onde as ideias da equipe estavam surgindo muito rapidamente. Depois de tantas sugestões, percebemos que havíamos perdido o foco. Somente quando um dos envolvidos impôs limites, que conseguimos tornar a discussão mais objetiva. Em um cenário cuja a inovação é tão importante e presente em nossas vidas, a relevância de limitar opções se torna ainda mais necessária:

“Mentes criativas se tornam mais focadas e agem melhor quando o reino das oportunidades está restrito (…). Apesar de sua tendência natural para ter uma criatividade irrestrita, você deve reconhecer e aproveitar as restrições. E é, finalmente, sua responsabilidade procurar restrições quando elas não forem apresentadas”

Scott Belski

Conhecendo a importância do não, precisamos saber quando usá-lo. Para isso, Derek Sivers sugeriu um método muito simples e eficaz: Hell yeah! or no. Ele propõe que devemos dizer “Lógico que sim!”, para tudo aquilo que nos deixa eufóricos, energizados e com uma vontade enorme de fazer acontecer e, para todo o resto, dizer não.

Com tantas oportunidades, não podemos escolher algo que “talvez” seja bom ou aceitar um monte de propostas que nos arranquem apenas um tímido sim. São essas escolhas que determinam nosso destino e queremos que ele seja incrível, não é mesmo?

Referencias: Design Thinking, Tim Brown, 2010. O Livro da Filosofia, Diversos Autores, 2011. O Conceito da Angústia, Soren Kierkegaard, 1844. A ideia é boa. E agora?, Scott Belski, 2011. http://sivers.org/hellyeah,

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