Arquivo da categoria: Comunicação

Insights essenciais sobre comunicação, adquiridos por meio da experiência do dia a dia e relacionados com as teorias mais modernas sobre o tema. Confira!

Fake Numbers – Parte 1

O viés humano da (des)informação

Em uma recente entrevista sobre educação, um dos entrevistados trouxe dados de uma pesquisa que mostrava não haver relação entre as notas dos alunos na escola e seu sucesso profissional no futuro.

Isso porque, dentre aqueles mais bem-sucedidos da amostragem, não havia uma parcela relevante de ex-alunos com bom histórico escolar.

Esse argumento me gerou um incômodo. Afinal, essa narrativa isolada, sem qualquer base de comparação, me pareceu irrelevante.

Seja por um ruído na comunicação, um erro de interpretação ou realmente um erro de metodologia, o fato é que esses dados podem ter levado muitos espectadores ao engano.

Na Era da Informação esse tipo de situação pode gerar muitos problemas e, dependendo do contexto, os estragos podem ser irreversíveis: desde um posicionamento equivocado numa conversa até o fracasso total de um negócio.

Na primeira parte desse texto, vamos entrar no tenebroso mundo das Fake News para tentar desbravar os Fake Numbers e entender por que nos enganamos tanto.

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Como a linguagem afeta nossa visão do mundo

Apenas me diga, que eu te direi quem és

No último mês, tive a oportunidade de fazer um curso no exterior junto com pessoas de várias partes do mundo. Da Polônia ao Panamá, histórias vindas de diferentes países estavam reunidas naquela sala de aula, localizada em Barcelona.

Como não podia ser diferente, surgiram muitas conversas sobre as características e diferenças entre cada nação e seus habitantes. Uma dessas discussões me chamou bastante a atenção: a linguagem parecia ter grande influência no comportamento das pessoas.

A fagulha para esse debate veio de um conceito muito utilizado em boa parte do globo, em português o conhecemos como: “Ganhar dinheiro“, comparado ao seu equivalente em inglês” to make money” (make = fazer, criar, construir).

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Lógica Simbólica 3

Desvendando a Lógica Simbólica

O primeiro post sobre Lógica Simbólica foi escrito há mais de 2 anos, na ocasião, utilizamos um conceito da ficção, proposto por Isaac Asimov, para concluir que todo tipo de conteúdo tem uma mensagem primordial, que pode estar ingenuamente perdida ou maliciosamente oculta: 

…seja como transmissor ou receptor, entenda que a palavra é apenas um meio e o enredo um caminho, o grande valor de qualquer conteúdo pode estar resumido a uma única mensagem, solitária e dispersa, esperando que você a desvende.”

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Negociação: Armadilhas Psicológicas

Não caia nesse jogo!

Sempre trabalhei com vendas e por todos os cargos que passei, sempre recebi uma grande carga de informação sobre técnicas de negociação. Acontece que sempre tive uma certa aversão a esse conceito, afinal, me parecia que se alguma técnica de convencimento fosse necessária, o foco teria deixado de ser a melhor solução possível para ambos e passaria a ser obter a maior vantagem possível para mim.

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Lógica Simbólica 2

Mensagens ocultas (e egoístas?)

O primeiro post sobre Lógica Simbólica já fez 8 meses e, desde aquela época, tenho observado e tentado, insistentemente, descobrir qual é o real significado por trás de qualquer mensagem que recebo.

Como dissemos naquela época, toda comunicação tem uma mensagem primordial, que pode estar ingenuamente perdida ou maliciosamente oculta. Sabendo disso, cabe a cada um de nós desvendar esse objetivo, seja quando recebemos ou transmitimos alguma mensagem.

A mais chocante conclusão que tive ao observar e ler muito sobre o tema é que grande parte da Lógica Simbólica é egocentrada, ou seja, serve principalmente para satisfação pessoal.

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Falácias – entenda os truques do diálogo

Uma discussão só é boa se todos estiverem satisfeitos no final

As discussões estão presentes em toda e qualquer interação humana, seja para falar de futebol, discutir os resultados da empresa ou ter a famosa DR com o companheiro(a).

Essa prática pode trazer muitos benefícios se todos os envolvidos tiverem como objetivo a busca pela verdade, pois resulta em conhecimento adicional e novas conclusões sobre o assunto.

O problema é que, para a maioria das pessoas, o mais importante é vencer a discussão. Essa tendência não se trata de um mal do mundo moderno. Na Grécia, filósofos conhecidos como Sofistas desenvolveram a Retórica, ciência que tratava da arte de convencer através da palavra.

Ou seja, a busca pela verdade coletiva passa a ser uma tentativa de imposição de crenças individuais e ninguém ganha nada com isso (a não ser que estejamos falando de política).

Aqueles que encaram a discussão como uma boa briga possuem uma arma: a falácia. Trata-se de um argumento que parece ser verdadeiro, mas, na prática, induz ao erro. Elas podem ser propositais (sofismo) ou involuntárias (paralogismo), mas, de qualquer forma, distorcem as conclusões.

Abaixo, uma lista das falácias que me deparo com mais frequência, seja no ambiente corporativo ou pessoal:

Falso Dilema – É dado um argumento que limita as opções, dessa forma, a “vítima” se vê presa em um dilema. Ex. ” Ou você quer o impeachment da Dilma ou você é Petista“.

Ad ignorantiam – Cria uma condição falsa àquilo que não pôde ser provado como verdadeiro ou entende como verdade algo que não pôde ser provado falso. Ex. “Sou inocente até que se prove o contrário“.

Ad Baculum – O famoso apelo à força. Ex. “Se quiser manter este emprego, me escute bem!

Ad Misercordiam – Direciona a argumentação com base em fatores emotivos. Ex. “Me preparei durante meses para esta entrevista durar apenas 5 minutos?”.

Ad hominemSe faz um ataque contra o argumentador não contra o argumentoEx. “Não posso aceitar a opinião de alguém tão ignorante!”

Post hoc ergo propter hocAssume que uma única correlação é prova suficiente da causa (depois disso, logo, por causa disso). Também conhecido como Correlação Coincidência. Ex. “As vendas caíram após o anuncio do aumento do dólar. Portanto, nosso negócio também depende da flutuação da moeda”.

Espantalho – Cria-se um novo argumento, mais fraco e que possa ser tendenciosamente interpretado. Ex. “Eu adoraria viajar com você, mas as passagens estão tão caras que eu prefiro ficar em casa”.

Ad populum – Afirma que uma opinião é compartilhada por muitas pessoas para tentar corroborar com seu argumento. Ex. “Estão dizendo por aí que vão acontecer muitas demissões”.

Falácia da Falácia – Acusar como vago todo argumento porque se cometeu uma falácia ou erro de argumentação. Ex. “Depois dessa, nem quero ouvir mais nada”.

É importante conhecer esse tipo de argumentação, pois, dessa forma, evitamos cometê-los e, principalmente, ficamos mais atentos para não nos deixar ser enganados. Sempre que estiver entrando em uma nova discussão, lembre-se: a verdade será mais proveitosa que a vitória.

Existem muitas outras falácias que merecem ser conhecidas, uma fonte interessante de consulta é: https://yourlogicalfallacyis.com/

Referências: Como Evitar Falácias. Disponível em: http://www.pucrs.br/gpt/falacias.php. Acesso em: 27.09.2015.  Guia das Falácias. Disponível em: http://www.str.com.br/Scientia/falacias2.htm#fd. Acesso em 27.09.2015.

Objetividade – Perigos e Vantagens

Direto ao ponto… que interessa

As decisões baseadas em seu grau de utilidade são grandes aliadas do êxito profissional, são muitos os exemplos de pessoas práticas que acumulam histórias de sucesso. Esse comportamento racional também ajudou a moldar nossa sociedade e nos trouxe até aqui, então, nada melhor do que usar um dos exemplos históricos para abordar o tema.

A maior potência mundial da atualidade tem uma história em comum com esse tema. Em 1853, o especialista britânico em máquinas e equipamentos, Joseph Whitworth, realizou grandiosos e reveladores estudos sobre o desenvolvimento exponencial dos Estados Unidos. O conteúdo extraído de seus relatórios traz importantes reflexões, como:

“…os americanos exibem enorme engenhosidade, combinada com grande energia e motivação, que, como nação, nós faríamos bem em imitar, se quisermos preservar nossa posição atual no grande mercado mundial”.

Naquela época, os EUA ainda eram vistos com uma nação emergente por muitos. Pesquisas atuais apontam, no entanto, que os britânicos já haviam sido ultrapassados desde os anos 1820 na corrida da produtividade, depois foi a vez da renda per capitaigualada nos anos 1860. Mas o que fez os americanos prosperarem tanto? Segundo Whitworth, as principais razões para esse desenvolvimento, além da abundância de recursos naturais, foram:

  • Baixa resistência à inovação por parte dos trabalhadores;
  • Menor número de barreiras para abrir empresas;
  • Alta taxa de alfabetização;
  • Imprensa barata.

Em suma, os americanos eram mais práticos. Desse comportamento, surgiu, em 1878, o Pragmatismo, termo proposto por Charles Sanders Peirce, no ensaio Como tornar claras as nossas ideias, que tem como proposta doutrinar o pensamento filosófico para a utilidade. Segundo ele, não devemos nos perguntar apenas “é dessa forma que as coisas são?”, mas sim, “quais são as implicações práticas ao se adotar essa perspectiva?”.

Essa nova filosofia influenciou muitos outros americanos, o nova iorquino William James foi um dos maiores entusiastas do pensamento pragmático e um de seus maiores ensinamentos foi: “faz diferença agir como se você fizesse diferença“. Seu exemplo mais conhecido é de um homem faminto perdido na floresta, se ele acreditar que consegue sair da floresta, irá tentar e pode conseguir sobreviver, caso contrário, ficará parado e fatalmente sucumbirá à fome.

Essa cultura enraizada no povo americano criou importantes alavancas para o desenvolvimento da nação, como o patriotismo, orgulho e confiança. São sentimentos compartilhados por grande parte do povo americano e que são percebidos até hoje no simples contato com qualquer nativo.

Tal objetividade foi uma das responsáveis por tornar o país em tamanha potência econômica e podemos tirar grandes lições ao adotar esse padrão de comportamento, como foco em resultados, eficiência e ambição. Mas existem algumas armadilhas que devem ser administradas: O conceito de foco pode ser simplesmente desfocar o que não interessa, o que nos impede de considerar as consequências; a eficiência pode ignorar a sustentabilidade e criação de valor a longo prazo; a ambição pode virar ganância.

No século XIX, uma nova ideologia surgiu nos EUA, o Destino Manifesto que, segundo ele, o povo americano fora eleito por Deus para promover o desenvolvimento e a formação da nação mais importante de todos os tempos. Essa crença, aliada ao comportamento pragmático, foi o suficiente para despertar a ganância e a inconsequência em uma parcela daquela população, o que culminou em guerras, crises e em um movimento visto por muitos como imperialista.

Quando trazemos essas armadilhas para o nosso cotidiano, a maior preocupação ao adotar uma postura mais prática e objetiva é o exagero. O pragmatismo implacável de Frank Underwood, personagem do seriado House of Cards, retrata muito bem a personificação de um indivíduo que não mede os meios para atingir os fins e estrutura planos maquiavélicos e imorais para atingir seus objetivos, para Underwood, lhe faltam os princípios.

A objetividade é uma forte aliada ao nosso desenvolvimento, mas exige grande responsabilidade. Portanto, foque nos seus objetivos e encontre a maneira mais prática de chegar, moralmente, a eles.

Referências: Os Magnatas, Charles Morris, 2005. O Livro da Filosofia, Diversos autores, 2010.