MAC – Método Analítico Científico

Conhecendo a verdade através dos números

Durante as pesquisas que realizei para escrever o post Ciência da Inovação, compreendi que, para encontrarmos soluções, precisamos utilizar métodos que norteiem nossa busca.

A indagação sempre fez parte das discussões estratégicas dos negócios, perguntas como “Por que as vendas caem?”, “Qual é o nosso público alvo?” ou “Que produto lançar?” são apenas alguns exemplos. Existem muitas ferramentas e processos que nos auxiliam a encontrar essas respostas, mas a maioria exige conhecimentos matemáticos e estatísticos que, dependendo do ramo, dificilmente estão disponíveis nas empresas.

Devido à essa carência de know-how e as grandes vantagens competitivas que uma correta interpretação de dados pode trazer, decidi compilar os conceitos científicos que tenho aprendido com a construção desse blog e criar um método de análise que possa ser usado por todos, dos mais leigos aos mais capacitados analistas. Vamos chamá-lo de Método Analítico Científico ou MAC.

Premissas:

Antes de iniciar as análises, precisamos garantir a presença de alguns conceitos:

  • Admita a ignorância – Mais uma vez esse tema vem à tona, mas não poderia deixar passar. Antes de iniciar qualquer análise, admita que sua opinião só terá validade de for comprovada, pois sua argumentação, por si só, não tem valor algum.
  • Busque o simples – Sempre que observarmos mais de uma solução possível, escolha a mais simples. Não quebre essa regra para tentar sofisticar seus projetos.
  • Compreenda a utilidade –  Apesar da nossa curiosidade, análises feitas apenas para responder perguntas, infelizmente, não são muito bem vindas. O resultado de seu estudo deve ter uma aplicação prática ou nada disso faria sentido.
  • Permita que seja testada – Toda conclusão que chegarmos, através desse ou de qualquer outro método, não é uma verdade universal e sim uma teoria falseável, que deve, necessariamente, proporcionar a chance de ser testada por outros analistas.

O método:

O MAC possui 5 etapas bastante simples que irão manter suas análises no trilho, afinal, como vimos no post Escolhas e Decisões, precisamos conhecer as fronteiras de um projeto para aumentarmos sua eficiência. Cada etapa, no entanto, abre inúmeras possibilidades, em que a criatividade, o conhecimento, adaptação e raciocínio se farão necessários para enxergarmos o que ninguém vê. As etapas são:

  1. Identificar o problema
  2. Definir Hipóteses
  3. Minerar dados
  4. Testar evidências
  5. Apresentar Solução

A partir daqui, iremos detalhar um pouco mais o método e teremos a breve descrição de algumas ferramentas de análise em todas as etapas.

1. Identificar o Problema

Os problemas nem sempre são o que parecem, na maioria das vezes estão abaixo de muitas camadas de preconceitos, incentivos, paradigmas, distrações e “mimimis“. O primeiro passo visa eliminar essa “sujeira”, existem muitas maneiras de fazer isso, por exemplo:

  • Brainstorming: Essa prática é bastante conhecida, consiste em juntar um grupo de pessoas e estimulá-lo a expor todos os insights que vierem à cabeça sobre algum assunto, dessa forma, conseguimos esmiuçar as características do problema e encontrar sua causa.
  • Diagramas: Muito utilizado em consultorias, a ideia aqui é encontrar conexões entre as variáveis do problema, até que se descubra um princípio.
  • Método Socrático: Identificar contradições na definição de um problema, por meio de perguntas simples (e muitas vezes ingênuas), até que se conheça a sua origem. Podemos, por exemplo, perguntar o porquê do problema acontecer, até que a única resposta possível seja: “porque sim!”.

Observe que essas ferramentas são muito simples e práticas – o Método Socrático, por exemplo, pode ser um exercício mental e individual – existem outras ferramentas, muitas delas mais sofisticadas, quanto mais você conhecer, melhor. O importante é identificar o problema real, pois a falta de dedicação, nesse caso, significa maior risco de ataque ao alvo errado.

2. Definir Hipóteses

Nessa etapa, selecionamos as hipóteses mais promissoras para solucionar nosso problema. As soluções propostas devem partir de pessoas que compreendam o problema e tenham interesse legítimo com a verdade, a criatividade nesse momento também é um grande diferencial. Algumas ferramentas que você pode utilizar:

  • BenchmarkingNada se cria, tudo se copia. A frase já é um chavão no mundo dos negócios e pode servir muito bem nessa etapa, estudar a solução de problemas diferentes pode ajudar a gerar ideias por associação, mantenha-se atento para captar insights a qualquer momento.
  • Post-its – A regra desse processo é escrever toda ideia em um post-it, por mais absurda que pareça, e colar em uma parede ou mural. Feito isso, as ideias são filtradas até chegarmos a apenas algumas hipóteses.
  • Índices – Para selecionar as melhores hipóteses, você pode definir um valor (nota) para cada aspecto que julgar mais importante, atribuir esses valores a cada uma das soluções propostas e convertê-las em números. Assim, podemos selecioná-las através de comparações e rankings.

É importante que as hipóteses não contenham elementos arbitrários ou dependentes de interpretação, além disso, é essencial lembrarmos de algumas das nossas premissas: simples, útil e falseável.

3. Minerar dados

Chegamos a um momento bastante desafiador do nosso método, afinal, não é sempre que temos dados suficientes e relevantes ao problema, aqui você deve aprender a se adaptar a cada situação e ter uma visão bastante holística para encontrar oportunidades. Em ocasiões mais favoráveis, podemos contar com dados mais robustos como, por exemplo, o Big Data (o que não significa muita coisa se não soubermos aproveitá-lo). Seguem alguns exemplos de mineração de dados:

  • Blueprint – Com essa ferramenta podemos mapear todas as etapas de um processo em análise. Conseguimos segregar todo esse processo em diversos momentos, fazer algumas marcações, como o tempo e urgência de cada um, e ainda identificar prioridades, gargalos e oportunidades.
  • Questionários – Transformar a opinião de alguns stakeholders em números é absolutamente exequível, quando utilizamos os questionários. Sua utilidade é inquestionável.
  • Dados disponíveis – Não podemos nos esquecer dos dados que são disponibilizados por agências de pesquisas e estatísticas. Algumas informações, como situação macro e micro econômica, desempenho de vendas de determinado setor e dados demográficos são facilmente encontrados em fontes bastante respeitadas e devem ser explorados.

O mais importante nesse momento é levantarmos a maior quantidade de informação possível. Quanto maior o volume de dados, mais assertiva será a solução.

4. Testar evidências

Chegou a hora de colocar a cabeça para funcionar. Com os dados gerados na etapa anterior, precisamos encontrar evidências que confirmem ou eliminem nossas hipóteses, essa tarefa é feita por meio da análise dos dados que agora estão disponíveis. Aqui, o raciocínio lógico será bastante importante, uma visão freaknomics muitas vezes pode lhe dar as respostas que procura. Exemplos:

  • Correlação – Analisa quanto o comportamento histórico de uma variável influencia em outra. Uma correlação forte pode ser a evidência que buscamos, mas tenha em mente que correlação é diferente de causalidade.
  • Padrão – Encontrar um padrão de comportamento na volatilidade dos números é uma espécie de bilhete premiado. Muita atenção e prática podem lhe ajudar a ter um olhar mais clínico.
  • Tendência – Traçar retas de tendência é um prática bastante comum, porém, podemos ir além, utilizando a análise técnica para traçar retas de suporte e resistência.

Toda hipótese sem evidência deve ser sumariamente eliminada. Algumas vezes, podemos teimar em algum ponto que não pôde ser validado, essa prática é mais comum do que se imagina e deve ser combatida, é muito mais útil voltar ao início do que insistir em algo que não se sustenta.

5. Apresentar solução

Se mantivermos as premissas e seguirmos todos os passos, chegaremos aqui com um bom material. Agora precisamos apresentá-lo, essa é uma das maiores dificuldades de grandes analistas, pois iremos “vender” nossa solução. Utilizaremos os dados e evidências como argumentação e o formato vai depender do seu alvo, tente descobrir se ele é, por exemplo, mais visual, analítico ou sinestésico e adapte sua apresentação. A simplicidade aqui é muito valorizada, utilize o conceito de Lógica Simbólica para encontrar o verdadeiro significado de sua proposta. Seguem alguns exemplos de como apresentá-la:

  • Gráficos – Apresentar suas evidências em tabelas que só você entende não é algo muito vantajoso. A apresentação por meio de gráficos pode resumir uma grande quantidade de dados e tornar sua proposta mais amigável.
  • Elavator Pitch – Muitas vezes, a oportunidade que você terá para apresentar sua solução surge nos momentos mais inesperados. Elaborar um raciocínio bastante sucinto e assertivo pode ser o fator determinante para que seu projeto seja aceito, em uma breve conversa.
  • One Page – Material muito útil quando não há oportunidade de apresentação pessoal, consiste em explicar sua solução e evidências por gráficos, textos e imagens, tudo isso em apenas uma página.

Transformar uma grande quantidade de números em uma solução atrativa não é tarefa fácil, mas com preparação e dedicação é possível fazer um material digno de aplausos, e não queremos nada menor que isso, não é mesmo?

Essa proposta de Modelo Analítico visa atender uma demanda muito forte por análise de dados e, mesmo que esse não seja o seu assunto favorito, vale a pena conhecer tais conceitos para acompanhar esse fenômeno. A verdade é que não existem mais mercados que não sejam balizados pelos números. Além disso, a tecnologia permite que as informações estejam mais disponíveis do que nunca, aquele que conseguir enxergar oportunidade, onde os demais enxergam apenas números aleatórios, terão grande vantagem competitiva.

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