Desmotivação – conhecendo o inimigo

Conheça seu inimigo e cuide de suas fraquezas

Existem muitas teorias e estudos que abordam a motivação, criar um ambiente motivador parece ser a grande sacada da vez. Isso fica bastante evidente quando empresas passam a criar espaços de descompressão, com áreas de lazer e relaxamento, benefícios adicionais, que são estendidos aos familiares, além de outras recompensas cada vez mais atrativas.

Por outro lado, a necessidade de tantas ferramentas de motivação pode representar uma tendência de que o trabalho, por si só, não seja capaz de gerar engajamento suficiente para o sucesso dessa parceria empresa/funcionário.

O intuito desse post é falar sobre desmotivação, inimigo número um da maioria das organizações, assim, podemos entender o que estamos fazendo de errado.

Segundo Chiavenato, motivo é uma força ou impulso que leva uma pessoa a agir de determinada maneira, isto é, que dá origem a um comportamento específico.

Esse comportamento nem sempre é positivo, afinal, qualquer um pode se sentir motivado a cometer algum desvio de procedimento, por exemplo. Existem três suposições que se relacionam entre si para explicar o comportamento humano:

  • É causado por estímulos internos e externos.
  • É motivado pela necessidade de satisfação de alguma necessidade.
  • É orientado para objetivos pessoais.

Estímulos internos e externos

O primeiro ponto é entender como lidamos com situações adversas. A noção de fracasso, por exemplo, muitas vezes trata-se apenas de uma questão de interpretação.

Um diretor de uma multinacional pode se sentir fracassado por não conseguir um almejado cargo de vice-presidente, enquanto a grande maioria das pessoas entende que o cargo de diretor já traz, intrinsecamente, o rótulo de bem sucedido a quem o ocupa.

Então, uma situação desmotivadora para alguns, pode ser mera rotina para outros.

O equilíbrio emocional é outro ponto importante. O acúmulo de preocupações ou frustrações, a falta de experiência ou um simples erro de interpretação podem desestabilizar qualquer um.

O entendimento dessa possibilidade, nos ajuda a avaliar corretamente a situação e evita que culpemos sempre o ambiente externo por nossos problemas. Em suma, as pessoas veem o mundo tal como elas são.

Por isso, o ponto de partida para uma análise é olhar para dentro de maneira sincera, buscar algum desarranjo que possa estar interferindo no modo como se interpreta as coisas e cortar pela raiz alguns problemas.

Mas é claro que o problema nem sempre está dentro de nós, alguns fatores do cotidiano podem tirar o sossego das pessoas e reduzir consideravelmente seu desempenho, o que nos leva ao segundo ponto.

Satisfação de necessidades

A satisfação de necessidades é um tema amplamente discutido por meio da Hierarquia das Necessidades, do psicólogo Abraham Maslow. Ele listou as principais motivações humanas e criou uma escala de utilidade e importância. Na base dessa hierarquia estão as necessidades “motivadas por deficiência“:

  • Fisiológica: Ar, comida, bebida, sono, calor.
  • Segurança: Estabilidade, saúde, dinheiro, emprego.
  • Pertencimento: Aceitação, amizade, intimidade, relacionamento
  • Autoestima: Conquista, reconhecimento, respeito, competência.

Cada uma dessas necessidades precisa estar satisfeita para que a pessoa passe para uma nova etapa. Algo que talvez seja novidade é que as hierarquias de Maslow continuam. Mesmo aqueles com autoestima elevada, são capazes de buscar satisfação ainda maior por meio das necessidades “motivadas por crescimento“:

  • Cognitiva: Conhecer, compreender
  • Estética: Ordem, beleza, simetria.
  • Autorrealização: Alcança o potencial pessoal
  • Autotranscedência: Ajudar os outros, ligar-se a algo além de nós mesmos

Enquanto as necessidades motivadas por crescimento são difíceis de se obter, a ruptura de alguma daquelas motivadas por deficiência, podem causar estragos na moral de um indivíduo. São situações que ultrapassam a barreira do trabalho, acabam sendo sentidas em todos os aspectos da vida de uma pessoa e podem se tornar um problema irreparável se não for resolvido.

Um agravante para essa situação é que muitas vezes somos estimulados a aceitar tais situações, como se uma vida sofrida fosse o natural, como se fôssemos incapazes ou não merecedores de avançar um degrau dessa hierarquia.

Isso me lembra um filósofo americano chamado John Dewey, ele dizia que diante das mudanças e pressões da vida, o indivíduo teria duas estratégias diferentes a adotar: apelar para as forças ocultas do universo em busca de auxílio e conforto ou procurar entender o mundo e adquirir o controle sobre o ambiente.

Objetivos pessoais

O objetivo é o resultado que o comportamento procura alcançar. Seja atender uma das necessidades listadas acima ou comprar um carro novo, entrar na universidade, ser promovido, descansar, etc.

Maximiano cita três obstáculos intrínsecos do indivíduo que podem impossibilitar a realização desses objetivos:

  • Frustração: Objetivo não realizado. Por exemplo, ser vencido por um adversário, esquecer/não saber alguma resposta ou não ter conhecimentos necessários para um teste.
  • Conflito: Comportamentos simultâneos incompatíveis ou decisões mutuamente exclusivas. Exemplos: escolha entre família e trabalho ou entre trabalho e estudo.
  • Ansiedade: Ausência de tranquilidade ou bem-estar psicológico para realizar tarefas. Exemplos: competição destrutiva, estresse provocado pelo excesso de trabalho, más condições de trabalho ou liderança ruim.

Um indivíduo que sofre de desmotivação e não consegue superar as dificuldades, pode acabar desencadeando alguns comportamentos com efeitos nocivos ao trabalho e a sua própria saúde:

  • Compensação: Consiste em buscar uma forma alternativa de satisfação de uma necessidade ou buscar a satisfação de uma necessidade alternativa.
  • Resignação: Consiste em entregar-se a um estado de desânimo ou passividade (“eu desisto”, “não adianta lutar”, “é o destino”, “é assim que tem que ser”). Numa situação de trabalho, a resignação manifesta-se por meio da apatia, da depressão e do desinteresse pela organização e seus objetivos.
  • Agressão: Compreende ataques físicos ou verbais, associados a sentimentos de ira e hostilidade.
  • Substituição ou deslocamento: Quando não é possível descarregar a agressão contra o objeto ou pessoa que o provocou, o indivíduo frustrado pode procurar outra vítima.

Eu já tive momentos de desmotivação com o trabalho, o pior deles, certamente, foi com um chefe que tive há muito tempo atrás. Ele era autocrático e notavelmente tinha algum problema comigo, pode ser que ele não gostasse do meu trabalho ou tivesse algum problema pessoal, mesmo. Isso gerou mal estar em reuniões e eventos, onde passei por situações desagradáveis, muitas vezes, na presença de toda nossa equipe.

Busquei algumas alternativas que eu pudesse fazer diferente, mas competia com minha mente tentando culpar aquele chefe por tudo. A insegurança se transformou em medo de represália e eu me via pensando naquela situação a todo momento.

Minha necessidade de autorrealização não estava sendo atendida, o que resultou em ansiedade e, em um primeiro momento, um comportamento de resignação.

Felizmente, ao invés de meu desempenho cair, consegui me motivar, superar aquela situação e virar o jogo, aprendi muito naquela época, encontrei uma forma de passar por essa barreira.

Um recente estudo, publicado na Fortune.com, elencou os três principais motivos que fazem um funcionário mudar de emprego e, dentre eles, “problemas com o chefe” aparece em primeiro lugar, a frente do “desejo de ter um salário maior” e de “fazer um trabalho que goste”.

Conhecer os efeitos e causas da desmotivação é uma importante arma para manter as coisas no eixo, com dedicação, alegria e alta performance.

 

Referências: Teoria Geral da Administração, Antonio Maximiano, 2012. Administração, Idalberto Chiavenato, 2014. Desmotivação. O Livro da Psicologia, diversos autores, 2012. O Livro da Filosofia, diversos autores, 2011.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.