Escudo Humano

Escudo Humano – Protegendo o grupo e desenvolvendo talentos

Alguns dias atrás, em uma das aulas que estou fazendo para obter minha certificação de inovação de Stanford, o professor Robert Sutton trouxe o seguinte insigth: “Os melhores líderes agem como escudos de proteção, protegendo seu pessoal de ofensas, intromissão, afrontas, idiotas e idiotices de todo tipo.” Isso me fez pensar. Afinal, apesar de parecer óbvio, é um conceito novo para mim e algo dificilmente discutido nas teorias de gestão que tanto falam de eficiência e resultados.

Ao pesquisar mais sobre o tema, encontrei um estudo da HBR (Harvard Business Review), que trata exatamente desse assunto. A pesquisa envolveu 195 líderes de 15 países diferentes, que escolheram as 15 competências mais importantes de liderança dentre 74 opções. A conclusão do estudo apontou que as principais características de um líder seriam: “Demonstra forte ética e proporciona sensação de segurança“. 

Com esses atributos, os líderes são capazes de criar um ambiente confiável e seguro, onde os funcionários podem relaxar e elevar a performance cerebral à sua máxima capacidade de engajamento social, inovação, criatividade e ambição. A neurociência corrobora com essa informação. Como vimos aqui, quando nos sentimos ameaçados, nosso corpo interrompe muitas funções vitais para nossa sobrevivência corporativa, mas irrelevantes para um perigo físico real, como memória, criatividade, capacidade social, etc.

Quando olho para trás, percebo que já fui liderado por um gestor que servia como um Escudo Humano para sua equipe. Nos passava a urgência de cada projeto ou assunto que estávamos envolvidos, mas eliminava qualquer cobrança mais rude que houvera recebido. Isso criou uma empatia muito grande com aquele líder, trabalhávamos motivados, sem economizar nas ideias por medo de errar e havia uma motivação extra, que era recompensar aquele líder por ter filtrado tanta coisa ruim.

No entanto, houve um lado negativo nessa história. Após algum tempo trabalhando com esse líder, algumas mudanças ocorreram e em breve nossa equipe estava com um novo gestor, que, felizmente, era muito bom também, mas não fazia o papel de escudo. Comecei a receber cobranças mais ásperas dos nossos superiores, que eu ainda não havia experimentado. Pela falta de “casca”, as críticas passaram a ter um peso maior para mim do que para os outros, que estavam mais habituados. Precisei me “acostumar” com aquilo de uma maneira muito mais urgente e estressante.

Com isso, entendo que como líderes, devemos sim trabalhar como escudo humano, criando um ambiente onde as pessoas se sintam seguras e confiantes. Mas pelo bem de suas carreiras, devemos soltá-las aos poucos, permitir que aprendam com a experiência, mesmo as negativas. É como ensinar um filho a andar de bicicleta, ele precisa cair de vez em quando para perceber que as vezes o medo é maior que a consequência.

Referências: The most important leadrship competencies according to leaders arroud the world. Disponível em: https://hbr.org/2016/03/the-most-important-leadership-competencies-according-to-leaders-around-the-world. Acesso em: 19 de março de 2016. Stanford Innovation and Entrepreneurship Certificate Application. Disponível em: http://scpd.stanford.edu/public/category/courseCategoryCertificateProfile.do?method=load&from=courseprofile&certificateId=14800052&. Acesso em: 19 de março de 2016.

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