As Pedras no Caminho… Parte 1

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No post Equilíbrio, discutimos a importância de experimentarmos conquistas e adversidades no mesmo volume e intensidade, para que se forme uma mente mais equilibrada, serena e resiliente.

O que significa, na prática, que não devemos resumir nossas reflexões a conceitos que funcionam, apenas, quando tudo está correndo bem, mas buscar respostas para as situações adversas. Por isso, iremos equilibrar esse blog e falar sobre dificuldades neste e nos próximos 3 posts.

As Primeiras Pedras

Não é de hoje que vivemos situações difíceis, você certamente já viu algumas representações de como viviam nossos primeiros ancestrais: medo constante de predadores, subsistiam principalmente coletando plantas, capturando animais pequenos e comendo restos deixados por outros carnívoros.

Foi devido a algumas dessas dificuldades que o homem começou a se adaptar. Um dos usos mais comuns das primeiras ferramentas de pedra, por exemplo, foi a inusitada tarefa de abrir ossos de animais para chegar até o seu tutano. Assim como os pica-paus se especializaram em extrair insetos de troncos de árvores.

“Por que tutano? Bem, suponhamos que você esteja observando um bando de leões abater e devorar uma girafa. Você espera pacientemente até eles terminarem. Mas ainda não é sua vez, porque primeiro as hienas e os chacais – e você não ousa se meter com eles – reviram as sobras. Só então você e seu bando ousam se aproximar da carcaça, olhando com cuidado à sua volta, e explorar o único tecido comestível que restou.”

Yuval Noah Harari

As primeiras ferramentas surgiram de necessidades bastante específicas da época. Até muito pouco tempo atrás (em parâmetros de evolução humana), a posição do homem na cadeia alimentar era apenas intermediária. “Durante milhões de anos os humanos caçaram criaturas menores e coletaram o que podiam, ao passo que eram caçados por predadores maiores” (Harari). Foram se adaptando às dificuldades e há 400 mil anos começaram a caçar animais grandes de maneira regular. Mais adversidades vieram, aprendemos com elas e nos últimos 100 mil anos – com a ascensão do homo sapiens – o homem saltou para o topo da cadeia alimentar.

Se os recursos fossem infinitos, não haveria necessidade de caça e talvez não existissem predadores (a economia, certamente, não existiria), certamente não teríamos tantas pedras no caminho. Mas será que teríamos evoluído da mesma maneira?

A história diz que não. Pense como seria viver em um lugar com escassez de água, com um calor infernal e pouquíssimos recursos naturais. Bem, uma das sociedades antigas mais evoluídas que conhecemos viveu nessas condições e criou um grande império. Para os egípcios, não bastava ir até o riacho mais próximo para se refrescar, eles precisaram criar tecnologia de irrigação, logística, armazenamento, proteção, etc. Sem as dificuldades não haveria tamanha evolução.

Agora pensemos nos primeiros índios brasileiros, com abundância de recursos naturais, pouca competição e ameaças. Não precisaram construir grandes abrigos, transportar pedras, desviar rios… O cenário em que viviam não demandou grandes avanços.

Claro que não podemos considerar os egípcios mais engenhosos por suas façanhas ou os índios mais sábios por viverem em harmonia com a natureza, mas foram as dificuldades de cada um que ajudaram a moldar essas histórias.

As razões que explicam como o homem passou tão rápido de um mero coadjuvante e coletor de restos de alimentos à protagonista na evolução e construtor de pirâmides, não é consenso entre os cientistas, mas, segundo o biólogo argentino Estanislao Bachrach, a maioria dos pesquisadores joga a culpa dessa evolução tão abrupta à pressão natural que um clima tão variável impôs na sobrevivência das espécies:

“Acredita-se que cerca de dois mil indivíduos formavam nossa tribo de primeiros ancestrais na África oriental. Cem mil anos mais tarde, somos mais de 7 bilhões. A teoria que explica como crescemos tanto, diz que não buscamos vencer o clima e sim, nos adaptar à sua variação. Pouco nos importou a constância do habitat, porque esta não era uma opção. No lugar de aprendermos a sobreviver em um tipo específico de clima, como a maioria das espécies, conquistamos toda a terra. Aqueles que não puderam resolver problemas do ambiente ou aprender com seus erros com rapidez, não viviam o suficiente para passar seus genes”.

Estanislao Bachrach

Portanto, a primeira conclusão que chegamos sobre esse tema é que as dificuldades não são apenas sintomas incômodos de nossa existência. A maneira como enxergamos e, principalmente, reagimos ao mundo à nossa volta são determinantes para a construção de fortalezas pessoais essenciais para nossa sobrevivência. Fugir dos problemas ou fingir que eles não existem, certamente, não é o melhor caminho.

Referências: Agilmente, Estanislao Bachrach, 2012. Uma breve história da humanidade, Yuval Noah Harari, 2012.

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