Criatividade

Criatividade – O mais humano dos talentos

“Daqui a cinco anos, cerca de um terço das habilidades que hoje são consideradas mais importantes para os trabalhadores terá mudado“. Essa é a afirmação de uma recente publicação do World Economic Forum, que fez uma extensa pesquisa com profissionais de todo mundo, analisou as mais fortes tendências tecnológicas e econômicas e listou as principais habilidades requeridas para os profissionais de hoje e do futuro:

top10skills 2020

A habilidade que mais sobe posições no ranking é a Criatividade, a justificativa para isso é que teremos uma avalanche de novos produtos, novas tecnologias e novas maneiras de trabalhar, os profissionais precisarão se tornar mais criativos, para serem capazes de se beneficiar dessas mudanças. Máquinas, robôs e programas podem nos ajudar a chegar onde queremos mais rápido, mas eles não podem ser tão criativos como os humanos (ainda).

Entender a criatividade talvez seja o primeiro passo para conseguirmos desenvolver tal habilidade. De maneira bastante generalizada, Criatividade é a capacidade de enxergar novas ideias e, segundo Daniel Kahneman, vencedor do prêmio Nobel e uma das maiores autoridades nos assuntos da mente, a ideia não é algo que surge de repente, como uma faísca capaz de acender uma lâmpada:

“Pense nas ideias como nódulos numa vasta rede, chamada memória associativa, em que cada ideia está ligada a muitas outras. Uma ideia que foi ativada não evoca meramente uma outra ideia. Ela ativa muitas ideias, que por sua vez ativam outras. Como marolas num lago, a ativação se difunde por uma pequena parte da vasta rede de ideias associadas”

A compreensão de que uma nova ideia surge da associação de muitas outras, nos dá algumas pistas de como nos tornar mais criativos. Acredito que existam três mais evidentes:

Aumentar o estoque – se a criatividade depende da associação de ideias e conceitos já existentes em nossa memória, a primeira coisa a se fazer é aumentar a oferta, quanto mais ideias tivermos armazenadas em nossas mentes, melhor. Mas não vale se resumir a um único assunto, quanto mais variados forem os conhecimentos adquiridos, maiores as possibilidades de se descobrir novas associações.

Descobrir novas caixas – Existem diferentes tipos de associações que nossa mente pode fazer, por exemplo: causas ligadas a seus efeitos (vírus – resfriado); coisas com suas propriedades (limão – verde); coisas com as categorias às quais pertencem (banana – fruta); etc. Esses “caminhos” que nossa mente usa para encontrar associações seguem alguns padrões que o professor Luc de Brabandere chama de “modelos”. Para conseguirmos aproveitar ao máximo nossas capacidades criativas, precisamos seguir diversos modelos de associação e não ficarmos presos a apenas um ou dois. Por isso que “pensar fora da caixa” pode não ser a melhor ideia.

Superar um cérebro preguiçoso – Essa é a definição de Luc de Brabandere para a criatividade. Afinal, fazer novas associações não é uma prioridade do nosso cérebro, precisamos nos esforçar para ir além do óbvio e não parar nas primeiras ideias. Para conseguir esse esforço extra, precisamos de energia disponível, Kahneman nos alerta que a reação do nosso cérebro racional (ou o que ele chama de sistema 2) à sobrecarga mental é seletiva e precisa: “o cérebro protege as atividades mais importantes, como atenção às ameaças mais sérias ou oportunidades mais promissoras, de modo que elas recebam toda a atenção de que precisam”. Em suma, um cérebro sobrecarregado designa prioridade total a auto preservação, por isso é muito difícil ter novas ideias quando se está exausto ou sob situações de estresse, como o medo de errar, por exemplo.

Mas, o desafio não para por aí, mesmo que consigamos nos tornar mais hábeis em ter novas ideias, a criatividade é apenas parte de uma importante equação: criatividade + implementação = inovação. Isso gera uma grande confusão nas empresas, Philip Kotler e Trías de Bes citam em seu livro uma estatística reveladora: “96% dos executivos consideram a criatividade essencial para suas empresas, mas apenas 23% deles conseguiram colocá-la em prática”, isso acontece porque não existem processos para implementação das boas ideias, na verdade não se sabe sequer quais são essas boas ideias:

“Há vezes em que uma ideia com potencial passa anos transitando dentro de uma organização e nunca se materializa completamente, porque ninguém assume a responsabilidade por seu gerenciamento. As pessoas propõem ideias e, devido a falta de  regras claras do que fazer com elas, estas definham antes de chegarem a algum lugar. Desse modo, as pessoas ficam desmotivadas e param de propor novas ideias. A mensagem é clara: criatividade, ideias e novas tecnologias sozinhas não são suficientes” 

A cultura criativa de uma empresa pode ser muito eficiente, desde que existam conceitos, métodos e orientação à execução para que ideias se transformem em realidade.  Portanto, prepare-se para o futuro desenvolva sua criatividade, mas nunca se esqueça de qual é o verdadeiro valor de uma ideia. Profissionais capacitados em gestão de inovação serão muito importantes nesse cenário, em que a criatividade ganha cada vez mais espaço.

 

Referências. A Bíblia da Inovação, Philip Kotler e Fernando Trias de Bes, 2011. Rápido e Devagar, Daniel Kahneman, 2011. What Managers Can Learn from Philosophers, Ecole Centrale Paris, disponível em Coursera.com, acesso em 12 de março de 2016. The 10 Skills You Need to Thrive in The Fourth Industrial Revolution. Disponível em: weforum.org Acesso em: 26 de março de 2016.

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