Principais insights após 100 textos

O que aprendi ao escrever 100 textos sobre carreira e negócios

O último mês representou um marco para este blog, o centésimo post foi publicado, após pouco mais de 3 anos. Desde o início, tive a ambição de chegar e ultrapassar esse número, mesmo assim, fiquei surpreso com a marca. Afinal, foram mais de 140 mil palavras, o suficiente para preencher quase 400 páginas do Word ou escrever mais de dois livros (cujo a média é de 64 mil palavras).

É surpreendente, porque se trata de um projeto pessoal, sem grandes ambições de retorno, apenas com o intuito de capturar conhecimento e não deixar escapá-lo. Por isso, manter a rotina de pesquisar, escrever e formatar, nas horas vagas, exigiu bastante disciplina.

Mas, felizmente, tem sido uma atividade muito gratificante, tudo o que aprendo aqui paga qualquer esforço. Então, a melhor maneira de comemorar é coletar as melhores lições. O post de hoje fala dos principais insights e ferramentas de um jovem executivo…

Primeiras conclusões

Os primeiros textos foram curtos e diretos. Com poucas palavras, cheguei a algumas conclusões que, apesar de incisivas, ainda as considero bastante atuais e relevantes, como por exemplo:

  • Ecletismo ou Especialidade: Não pare de se questionar, construa uma estratégia para seus objetivos e atue. 
  • Dieta da InformaçãoFaça uma reeducação da maneira como consome informação, seja mais seletivo, busque qualidadecresça e ganhe tempo.
  • O DNA do SucessoNão se acomode com a esperança de um mundo ideal ou mais justo, desvende o seu DNA e use-o a seu favor.
  • O Valor de Uma Ideia: Ter uma boa ideia pode ser insignificante, o sucesso de um projeto se baseia em execução e timing, lembre-se disso.
  • O Filtro da Vida Não se contente em respeitar as diferenças, aprenda com elas e, por favor, seja maior que seus problemas.
  • Mimimi é Fortuna: Levante uma bandeira contra o mimimi, seu preço é alto demais para você ficar aí parado!
  • O Poder do Simples: Busque sempre as soluções mais eficientes, independente do grau de sofisticação, sua melhor entrega é o resultado, simplesmente isso. 

As conclusões eram claramente impositivas e, de certa forma, críticas. Como o blog começou para que eu pudesse guardar insights, creio que toda essa imposição foi inconscientemente direcionada a mim mesmo, ainda que, na época, eu achasse que fosse destinada, exclusivamente, ao leitor.

Mas foram críticas boas, quando leio essas “diretrizes” percebo que tenho de estar sempre atento a continuar me desenvolvendo. A conclusão do post Kaizen, escrito há 3 anos, reflete isso muito bem:

“…a solução é desafiar a si mesmo, trabalhar por uma evolução contínua, esquecer dos acomodados e superar-se a cada dia, travando um verdadeiro duelo com o seu passado.”

Liderança

Para conseguir manter algum padrão, o Blog começou a ter Categorias: Liderança, Inovação, Desenvolvimento, Produtividade e Comunicação foram os temas selecionados.

O primeiro post sobre liderança foi o Formação de Equipes de Alto Desempenho. Na ocasião, falamos sobre a importância de determinar a liderança, conhecer a equipe e o poder da criação de comunidade.

Após definir as Formação de Equipes de Alto Desempenho, Características das Equipes (o post mais acessado por ferramentas de busca) e dos líderes, discutimos o papel do líder como Escudo Humano.

Na ocasião, o professor Robert Sutton trouxe o seguinte insigth: “Os melhores líderes agem como escudos de proteção, protegendo seu pessoal de ofensas, intromissão, afrontas, idiotas e idiotices de todo tipo.” 

A conclusão foi que, apesar de precisarmos protegê-los, não podemos simplesmente privar os liderados de se desenvolverem: é como ensinar um filho a andar de bicicleta, ele precisa cair de vez em quando, para perceber que às vezes o medo é maior que a consequência.

Em seguida, chegamos em um dos meus textos favoritos, Chefes Agressivos, em que tentamos descobrir por meio de um grande contexto histórico, o que faz algumas pessoas se tornarem tão tóxicas quando passam a ser líderes.

Ainda mais relevante que isso, apontamos algumas maneiras de acabarmos com essa situação, seja você o subordinado, o chefe ou o dono de uma empresa (esse é, até hoje, o post com mais curtidas na nossa página do Facebook).

O próximo post da categoria trouxe uma provocação a todos os conceitos teóricos de liderança, uma verdade inconveniente sobre como ser líder: 

Me pareceu bastante lógico que a definição de uma boa liderança seja relativa ao observador (o que, de certa forma, deixaria Einstein orgulhoso). Um subordinado pode entender, por exemplo, que um bom líder é aquele mais calmo e compreensivo, enquanto um diretor executivo pode achar que os líderes sob sua gestão devam ser diretos e incisivos. 

A conclusão aparente é que a noção de uma boa liderança é egocentrada. Consideramos que alguém é um excelente líder, baseado em nossos próprios interesses e nas vantagens que podemos obter.

Esse foi um insight que me fez pensar muito, afinal, se a boa liderança depende da perspectiva de cada um, não temos como cravar um modelo ideal. Agora, sempre que me perguntam o que define um bom líder, eu devolvo outra pergunta: Do ponto de vista de quem?

O post seguinte, falou sobre Liderança na Era Pós-Digital. Primeiro, elencamos as principais características para o profissional dessa época:

  • Curiosidade – a habilidade de olhar ao redor, investigar, explorar e descobrir. Não ser monotemático, mas ter interesses diversos.
  • Adaptabilidade – ninguém deve acreditar que começará uma carreira hoje e seguirá com ela por muito tempo.
  • Learnability  – o desejo e capacidade de desenvolver habilidades sob demanda.
  • Criatividade – Máquinas, robôs e programas podem nos ajudar a chegar onde queremos mais rápido, mas não podem ser tão criativos quanto os humanos (ainda).
  • Utilização de Dados – Temos os dados, mas ainda precisamos saber o que fazer com eles.

Depois, no mesmo texto, discutimos 3 importantes pontos para liderarmos na Era Pós-digital:

  • O que acontece se eu falhar? – Deixe bem claro o que vai acontecer com um funcionário que falhar. Isso vai determinar se inovações continuarão acontecendo ou não.
  • Liderança de Nível 5 – Segundo Jim Collins, em comparação com os líderes de elevado perfil e personalidade forte, que fazem as manchetes e se tornam celebridades, os líderes das empresas “feitas para vencer” parecem ter vindo de marte. Apagados, quietos, reservados, até mesmo tímidos, esses líderes são uma mistura paradoxal de humildade pessoal com firme vontade profissional.
  • Visão de Longo Prazo – Cabe a você e sua equipe cuidarem bem do que precisa ser feito hoje, mas nunca podem abrir mão de uma visão implacável de longo prazo.

No post Propósito e Motivação (o texto no qual as pessoas ficam, em média, mais tempo conectadas) descobrimos, entre outras coisas, que o dinheiro não é o maior motivador do trabalho. Na verdade, existem outros fatores que resultam em melhores performances e maior satisfação pessoal:

  • Autonomia: O desejo de ser auto orientado.
  • Maestria: O impulso do aprimoramento.
  • Propósito: A busca por significado

Em seguida, a discussão foi sobre Paradoxos do mundo corporativo, desafiando algumas contradições do status quo empresarial:

  • Contratamos as pessoas mais capacitadas para, depois, lhes dizer o que fazer.
  • Buscamos profissionais com uma nova maneira de ver as coisas, mas exigimos que sigam padrões.
  • Pedimos para terem visão de longo prazo, mas recompensamos apenas os resultados do presente.
  • Valorizamos a cooperação e o trabalho em equipe, mas incentivamos a competição.
  • Falamos de inovação, mas não queremos correr riscos.

Ainda falamos sobre as Barreiras da Colaboração, o papel do líder como educadorgerente, até chegar, finalmente, ao último e centésimo post publicado no blog: Funcionários Tóxicos, que discute como pessoas talentosas, inteligentes ou criativas também podem contaminar negativamente uma organização.

Inovação

O contato com o tema começou em um curso interno da minha empresa, conforme relatei no post Ciência da Inovação, que busca entender como a inovação e ciência estão correlacionados. Cheguei a três principais conclusões com esse post:

  • A primeira é que não podemos confundir inovação com criatividade; a visão romântica de ideias surgindo do nada está separada da ciência. 
  • A segunda é que inovação e ciência se confundem, nenhuma delas é apenas consequência da outra e funcionam bem melhor se caminharem juntas.
  • A última é que ambos os ramos do conhecimento humano são indispensáveis à vida, sem eles, não faríamos sentido.

Com o intuito de levar essa discussão para a prática, apresentamos um método de inovação baseado na metodologia cientifica. O MAC propõe alguns passos para gerarmos insights e encontrarmos soluções: 1. Identificar o problema; 2. Definir Hipóteses; 3. Minerar dados; 4. Testar evidências; 5. Apresentar Solução.

Em outra ocasião, falamos sobre Criatividade, o mais humano dos talentos, que podemos desenvolver ao Aumentar o Estoque de ideias (ampliando as possibilidades de conexões), Descobrir novas Caixas (criando associações mais diversas) e Superar um Cérebro preguiçoso (para irmos além do óbvio).

O post Empreendedorismo de Palco é outro post que gosto muito, discute sobre como a evangelização do empreendedorismo pode frustrar uma geração. Aponta como os fatores externos, o gap educacional e o acaso podem levar empreendedores extremamente talentosos e dedicados ao fracasso.

Por fim, chegamos na série Inovação na Prática, foram 6 posts que trouxeram ferramentas valiosas para a criação de valor e captura de oportunidades:

  1. Design Thinking: Discute a utilização do método e como a Observação de Usuários, o Brainstorming e a Prototipagem podem ser essenciais no processo de Inovação.
  2. Empatia: Complementa o primeiro, colocando as pessoas no centro da inovação.
  3. Oceano AzulO post mais acessado do blog fala sobre explorar setores inexistentes e descobrir mercados inexplorados, para tornar a concorrência irrelevante.
  4. Small Data: Mostra como um detalhe pode fazer toda a diferença e apresenta a Metodologia 7C para a captura de insights.
  5. Cauda Longa: Explora os mercados de nicho na economia digital e coloca a reputação como sua nova moeda.
  6. Geradores de Insights: Apresenta novas ferramentas – Sinética, Análise Morfológica, Demandas Adjacentes e outras fontes de ideias.

O próximo post gerou certa polêmica, Era Pós-Digital e o Fim das Teorias de Administração mostrou que não podemos mais dividir a administração por “Escolas” ou períodos, como fazíamos antigamente:

Na Era Pós-Digital, a característica mais relevante é a própria mudança. Como vimos, estamos entrando em uma época em que a efemeridade é perene, a transformação é rotina e o caos é status quo. Nessa situação, não é possível estabelecer um grupo de regras que forme uma nova teoria.

O último post publicado nessa categoria fala sobre o Ford Edsel. O maior texto publicado no blog, apresenta um case de fracasso e discute como uma empresa, recheada de pessoas capacitadas e bem intencionadas, acabou tendo prejuízos milionários. Uma história que nos ajuda a enxergar a inovação por outro ângulo.

Desenvolvimento

Desenvolvimento é a categoria com mais posts, 25 no total, afinal, negócios são feitos por pessoas e para pessoas, e o desenvolvimento humano precisa estar sempre presente quando falamos do assunto.

A série “As Pedras no Caminho“, dividida em 4 posts, falou sobre dificuldades e construção de castelos, trazendo insights muito importantes para conseguirmos enxergar os problemas sob outra ótica:

  • As dificuldades são inevitáveis, necessárias e essenciais para a formação e desenvolvimento de indivíduos e sociedades. A maneira que lidamos e reagimos a elas é determinante para o nosso sucesso.
  • Criamos expectativas exageradas baseadas em pressões externas, que, na maioria dos casos, não refletem nosso próprio interesse.
  • Reagimos ao que consideramos ameaça da mesma maneira que nossos antepassados, preparando nosso corpo para a luta ou fuga, o que é, quase sempre, incoerente às situações que vivemos hoje.
  • Autoconhecimento, a Reflexão e a Aceitação são as grandes ferramentas para lidar com os sintomas das pedras em nosso caminho. Com elas, nos tornamos maiores do que os nosso problemas.

Outro post que fala sobre o desenvolvimento pessoal e merece destaque ofereceu uma contextualização sobre valor. Após uma árdua consulta a filósofos e historiadores, chegamos à seguinte conclusão:

Apesar do grande impacto no mundo dos negócios e as muitas vertentes derivadas do tema, é na aplicação de valor no cotidiano das pessoas que está inserido o maior potencial de transformação da nossa sociedade. Como vimos ao longo do texto, podemos fomentar três atitudes que tornariam a vida do indivíduo mais valorosa:

  • Conhecer as necessidades atuais (+ felicidade);
  • Engrandecer as bases de comparação (+ conhecimento);
  • Enriquecer os gabaritos de conduta moral (+ sabedoria).

Autoconhecimento foi o tema de um dos textos que figuram entre meus prediletos. O que começou com um ensinamento já conhecido no mundo dos negócios, trouxe um insight que podemos utilizar em muitos aspectos da nossa vida:

Devemos ir além e rever constantemente nossos próprios valores, nos transformar em quem realmente somos e entender que tudo o que faz parte do mundo externo é apenas uma versão de como nós o enxergamos. A realidade é pessoal e intransferível.

Dessa forma, teremos autoconhecimento suficiente para, entre outras coisas, saber a diferença entre o que podemos ou não mudar. A serenidade e a coragem cuidam do resto.

Produtividade

Na categoria produtividade, falamos de temas como Reuniões (Im)produtivas, Desapego Criativo, Diagnóstico Empresarial e até Memes. O primeiro destaque fica para a série que ressaltou a importância da Execução na Era Pós-digital, uma época em que a única constante é a mudança.

No primeiro post, ficou claro que precisamos aproximar as estratégias ao mundo real e transformar objetivos organizacionais em ações práticas. A execução baseada em Regras Simples foi a solução adotada por uma série de iniciativas que ilustraram o texto.

A adaptação foi o tema central do segundo post. Utilizando conceitos da Evolução Natural das Espécies, tentamos nos apoiar em Darwin e suas teorias para transformar nossas organizações em Máquinas de Sobrevivência, que possuem maior longevidade, fecundidade e fidelidade.

Já no terceiro texto, o foco foi o aprendizado. Para prosperar, precisamos entender rapidamente o que funciona e diminuir as incertezas, por isso, discutimos algumas ferramentas de Experimentação.

O último texto explorou o papel essencial da cultura e tecnologia, para a prosperidade de uma empresa na Era Pós-digital.

O post sobre Conceitos Financeiros fechou a categoria Produtividade, discutindo sobre Geração de Caixa, Retorno de Ativos (ROA) e Crescimento. Tentou mostrar que as leis universais das finanças realmente existem e são mais simples do que se imagina.

Comunicação

Na categoria Comunicação vale destacar os 3 textos sobre Lógica Simbólica. No primeiro, utilizamos um conceito da ficção, proposto por Isaac Asimov, para concluir que todo tipo de conteúdo tem uma mensagem primordial, que pode estar ingenuamente perdida ou maliciosamente oculta.

Já no segundo texto da série, chegamos a uma chocante conclusão: a Lógica Simbólica é, normalmente, egocentrada. No terceiro post , nos aprofundamos um pouco mais e vimos que uma simples pergunta como “Com o que você trabalha?” pode estar escondendo uma mensagem como “O que você pode fazer por mim?“.

A linguagem afeta a nossa visão sobre o mundo? Essa foi a inquietação que deu origem a outro post da categoria que merece destaque.

Além de confirmar a influência da linguagem em nosso comportamento e me espantar com algumas conclusões, percebi que podemos obter ganhos muito mais importantes se: compreendermos as diferenças, nos libertarmos da tirania de poucas palavras, assumirmos um pouco do controle sobre nossas influências e expandirmos nossa compreensão.

Para Finalizar

Esses foram alguns dos insights que mais gostei, claro que não teria espaço para colocar tudo em único texto, mas esse não era o propósito, a ideia era relembrar um pouco do caminho que nos trouxe ao centésimo post. Ao fazer isso, pude perceber algumas coisas:

É impressionante como a minha maneira de escrever mudou. Quando leio o que escrevi há 3 anos, encontro muitos textos que poderiam ser melhor escritos ou, pelo menos, estruturados de outra maneira.

Mas, eu faço questão de não fazer ajustes, afinal, isso também conta uma história. A evolução do raciocínio, a qualidade das referências, a escolha dos assuntos, a profundidade e até o tamanho dos textos ilustram essa trajetória em tempo real. É justamente isso que deixa o blog mais interessante.

Percebi, também, que o objetivo principal desse projeto tem sido muito bem sucedido, afinal, com os textos, consigo consultar rapidamente todos os insights que escolhi guardar nos últimos anos.

Existe, no entanto, algo ainda mais gratificante, compartilhar conhecimento.

Certamente, não chegaria a 100 textos se tivesse guardado tudo apenas para mim. Se a possibilidade de salvar as ideias do tempo me fez começar a escrever, poder compartilhá-las, sem dúvidas, é o que me faz continuar.

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